Espirometria em Pará de Minas: como é o exame

Por Dr. Matheus Goebel, médico pneumologista · CRM-MG 54546 · RQE 38138

Pessoa realizando espirometria com clipe nasal e bocal, orientada por profissional de saúde.

Se o seu médico pediu uma espirometria — o “teste do sopro” —, este artigo explica o que o exame mede, como ele é feito, o que você precisa fazer antes e o que o resultado costuma mostrar. É um exame simples, que dura cerca de meia hora e não usa agulha nem contraste.

O que é a espirometria?

A espirometria mede quanto ar você consegue soprar e com que velocidade. Pense em esvaziar um balão cheio o mais rápido que conseguir: interessa tanto o quanto de ar cabia dentro dele quanto a rapidez com que ele sai. O aparelho registra essas duas coisas.

Os dois valores principais do exame são a capacidade vital forçada, que é o volume total de ar soprado depois de encher o peito ao máximo, e o volume expirado no primeiro segundo do sopro. A relação entre eles é o que permite ao médico dizer se a saída de ar está livre ou se há alguma dificuldade.

A espirometria avalia o funcionamento mecânico dos pulmões. Ela não enxerga o pulmão por dentro nem detecta todas as doenças respiratórias — por isso o médico costuma associar outros exames.

Para que serve o exame?

As indicações mais frequentes, segundo as recomendações brasileiras de espirometria, são:

  • Investigar sintomas como tosse persistente, falta de ar e chiado no peito
  • Apoiar o diagnóstico de asma e de DPOC
  • Acompanhar a evolução de quem já tem diagnóstico de alguma condição pulmonar e avaliar a resposta ao tratamento
  • Avaliar trabalhadores expostos a poeiras, vapores, gases e produtos químicos
  • Avaliar o risco respiratório antes de cirurgias de maior porte

Como o exame é realizado?

O procedimento é indolor, não invasivo e leva em torno de 20 a 30 minutos, incluindo preparo e repetições.

  1. Você fica sentado, e um clipe é colocado no nariz para que o ar saia apenas pela boca
  2. Você respira através de um bocal com filtro descartável
  3. O profissional orienta você a encher o peito completamente e soprar com toda a força, mantendo o sopro até o fim
  4. A manobra é repetida algumas vezes, porque o exame só é confiável quando os sopros ficam parecidos entre si
  5. Em muitos casos, aplica-se um broncodilatador inalatório e, cerca de 15 minutos depois, repete-se a sequência

Essa segunda etapa é a prova broncodilatadora: mostra se uma eventual dificuldade de saída do ar melhora com o medicamento — informação importante para diferenciar asma de outras condições. O exame depende da sua colaboração, e é normal precisar de algumas tentativas até acertar a manobra.

Como se preparar

Algumas orientações simples ajudam a evitar que o resultado seja alterado por fatores externos:

  • Não fumar por pelo menos 2 horas antes
  • Evitar café, chá preto e bebidas alcoólicas nas horas que antecedem o exame
  • Evitar refeição volumosa na hora anterior — estômago cheio atrapalha a respiração profunda e a expiração forçada
  • Usar roupas confortáveis, que não apertem o peito nem a barriga
  • Levar a lista dos medicamentos que você usa

E os medicamentos inalatórios?

Se você usa bombinha, ela pode precisar ser suspensa antes do exame, porque o efeito do medicamento mascara justamente o que se quer medir. O tempo depende da classe do medicamento e varia de poucas horas a mais de um dia.

Não suspenda nada por conta própria. Informe no agendamento quais medicamentos você usa e receba a orientação específica para o seu caso ou pergunte para o médico que pediu o exame. Em algumas situações clínicas, o médico prefere que o medicamento seja mantido — e isso também é uma informação válida para o exame.

Quando o exame não deve ser feito

A espirometria é um exame seguro, mas exige um esforço que aumenta a pressão dentro do tórax e do abdome. Por isso é adiada em algumas situações, entre elas:

  • Infarto do miocárdio na última semana
  • Angina instável
  • Cirurgia recente nos olhos, no tórax ou no abdome
  • Descolamento de retina
  • Quadro respiratório agudo em curso (como resfriados e pneumonia, por exemplo)

Por isso vale informar, no agendamento, sobre cirurgias e internações recentes.

O que o resultado mostra?

O laudo compara os seus números com os valores esperados para pessoas do mesmo sexo, idade e altura, segundo referências da população brasileira. Dessa comparação costuma sair, geralmente, uma de três situações.

Um padrão obstrutivo significa que o ar encontra dificuldade para sair, o que acontece na asma e na DPOC. Um padrão restritivo sugere que o pulmão não expande como deveria, o que pode ocorrer em doenças do tecido pulmonar, em alterações da caixa torácica e em outras situações. E há o resultado dentro da faixa esperada.

Dois pontos merecem atenção. Um exame normal não descarta doença: na asma, é possível fazer a espirometria em um dia sem sintomas e não encontrar alteração alguma. E o laudo não é o diagnóstico — ele é uma peça que o médico interpreta junto com a sua história, exame clínico e outros exames complementares.

Onde fazer espirometria em Pará de Minas

O exame é realizado na Acolher Medicina Especializada, na Rua Melo Sobrinho, 130, Centro, Pará de Minas/MG, com agendamento prévio. No momento de marcar, informe quais medicamentos você usa, para receber as orientações de preparo do seu caso.

Para agendar, fale com a equipe pelo WhatsApp ou ligue para (37) 3232-2223.

Perguntas frequentes

A espirometria dói?

Não. O desconforto é o de um esforço respiratório intenso e repetido: pode dar tontura passageira ou tosse logo após o sopro. Passa em poucos minutos, e você descansa entre uma manobra e outra.

Preciso de acompanhante ou de jejum?

Jejum não é necessário — apenas evite refeição pesada na hora anterior. Acompanhante não é exigido para o exame, mas é bem-vindo se você tiver dificuldade de locomoção.

Meu exame deu normal, mas continuo com sintomas. E agora?

Resultado normal não exclui doença respiratória, sobretudo quando os sintomas vêm e vão. Nessas situações o médico pode repetir o exame em outro momento, acompanhar medidas ao longo do tempo ou solicitar testes complementares.

Publicado originalmente em 21 de novembro de 2025. Revisado e atualizado em 14 de setembro de 2026.

Referências

  1. Albuquerque ALP, Berton DC, Campos EVMFAS, et al. Novas recomendações de espirometria da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia — atualização 2024. Jornal Brasileiro de Pneumologia, 2024;50(6):e20240169. doi.org/10.36416/1806-3756/e20240169
  2. Graham BL, Steenbruggen I, Miller MR, et al. Standardization of Spirometry 2019 Update. An Official American Thoracic Society and European Respiratory Society Technical Statement. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, 2019;200(8):e70-e88. doi.org/10.1164/rccm.201908-1590ST
  3. Stanojevic S, Kaminsky DA, Miller MR, et al. ERS/ATS technical standard on interpretive strategies for routine lung function tests. European Respiratory Journal, 2022;60(1):2101499. doi.org/10.1183/13993003.01499-2021
  4. US Preventive Services Task Force. Screening for Chronic Obstructive Pulmonary Disease: Recommendation Statement. USPSTF, 2022. uspreventiveservicestaskforce.org

Este artigo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento dependem de avaliação individual.

Dr. Matheus Goebel — MÉDICO — CRM-MG 54546 — RQE 38138 (Pneumologia) — RQE 38137 (Clínica Médica)

Autoria e revisão: Dr. Matheus Goebel, médico pneumologista. Ferramentas de inteligência artificial foram usadas como apoio na busca da literatura médica; a revisão final e a responsabilidade pelo conteúdo são do autor.

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