DPOC – Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. O que é? Qual o Tratamento?
- Dr. Matheus Goebel
- 4 de abr. de 2018
- 4 min de leitura
Atualizado: 17 de jun. de 2023

Seu médico disse que você ou alguém próximo está com DPOC? Você sabe realmente o que é essa condição? Esse artigo trará informações relevantes e confiáveis para que você se informe mais sobre essa doença.
O que é DPOC?
DPOC, ou doença pulmonar obstrutiva crônica, é uma condição em que as vias aéreas dos pulmões (brônquios e bronquíolos, tubos que levam o ar até os pulmões) tornam-se inflamadas e estreitas, acompanhado de lesão na região onde há a troca gasosa (chamada de alvéolo). Essa condição causa dificuldade para respirar, falta de ar e cansaço.
A DPOC pode ter várias formas de apresentação, desde uma doença inicial, leve e com poucos sintomas, até uma doença grave que pode até levar à necessidade de transplante de pulmão em alguns casos. A doença não tem cura e geralmente piora com o passar do tempo. Mas existem medicamentos que podem ajudar a reduzir a progressão e melhorar os sintomas.
Você já pode ter ouvido alguém referir-se à DPOC como “bronquite crônica” ou “enfisema”. Essas são formas de apresentação da DPOC, que podem ocorrer também juntas.

Essa figura mostra alvéolos normais e danificados. Alvéolos danificados dificultam a troca de oxigênio e dióxido de carbono (CO2) entre os pulmões e a corrente sanguínea. (Fonte: Modificado de UptoDate 2018)
Como alguém adquire DPOC?
A causa mais comum de DPOC é o tabagismo. A fumaça do cigarro é tóxica e pode gerar lesão nos pulmões, inflamando e causando estreitamento das vias aéreas, o que leva à DPOC. Pode-se também adquirir DPOC ao respirar outros gases e fumaças tóxicas, inclusive fumaça de queima de lenha (ex: fogão a lenha). Em situações mais raras, a DPOC pode ser causada por um problema genético, que pode ser identificado por um exame de sangue (chamamos de deficiência de alfa 1 antitripsina).
Quais são os sintomas de DPOC?
Nas fases iniciais, DPOC geralmente não causa sintomas. Com o passar do tempo e a piora da doença, pode causar:
Sensação de falta de ar, especialmente ao exercitar-se, caminhar, e fazer esforço físico
Chiado torácico (som parecido com um assovio quando você respira)
Tosse e expectoração de muco
As pessoas portadoras de DPOC também apresentam risco aumentado para:
Infecções respiratórias, como a pneumonia
Câncer de pulmão
Doenças do coração
Existe um teste para DPOC?
Sim. Seu médico poderá solicitar um exame chamado espirometria, que é o principal teste feito para avaliar a presença de DPOC. Durante a espirometria, é solicitado que o paciente faça uma respiração profunda, seguida de um sopro o mais forte e rápido que for possível, dentro de um tubo. Esse tubo é conectado a um aparelho que mede quanto de ar o paciente consegue soprar e qual a velocidade que o sopro é realizado. Em seguida, será dado um medicamento através de um inalador (bombinha), para tentar reduzir o estreitamento das vias aéreas e melhorar a respiração (um “broncodilatador” – salbutamol). Após alguns minutos a espirometria será repetida. Isso irá fornecer informações ao médico para que ele descubra se o problema é causado pela DPOC ou outra doença pulmonar, como a asma. Pessoas com asma geralmente tem uma espirometria normal após usar o salbutamol, o que não acontece com quem tem DPOC.
Vou precisar de outros testes?
Seu médico pode solicitar outros testes também. Esses testes servem para ver se há outros problemas além da DPOC que possam estar causando os seus sintomas. Também podem servir para avaliar outros problemas que a DPOC pode causar. Esses testes podem incluir:
Uma radiografia de tórax
Um eletrocardiograma (ECG) – para avaliar a atividade elétrica e se há outras doenças no coração.
Ecocardiograma – também serve para avaliar se há doenças no coração.
Tomografia de baixa dose – Esse é um exame usado para fazer rastreamento para câncer de pulmão. Seu médico pode achar necessário dependendo da sua idade, o quanto você fumou no passado, e se você ainda fuma.
Posso fazer alguma coisa para ajudar no tratamento?
Sim, há duas coisas importantes que você deve fazer:
PARE DE FUMAR! Se você fuma, a coisa mais importante que você pode fazer para a DPOC é parar de fumar. E não importa o quanto você já fumou ou o quanto você fuma atualmente. Sempre é hora de parar. Interromper o tabagismo irá reduzir a progressão da sua doença e fará com que você se sinta melhor. CLIQUE AQUI para ler o artigo sobre o cigarro e a interrupção do hábito de fumar.
Tome a vacina contra gripe em todo outono, e tome a vacina contra pneumonia pelo menos uma vez. Infecções como a gripe e a pneumonia podem causar muito dano ao seu pulmão se você já tem DPOC. É importante tentar preveni-las.
Como é feito o tratamento da DPOC?
Existe 4 tipos principais de tratamento para DPOC:
Medicamentos – Existem vários medicamentos para tratar a DPOC. A maioria dos pacientes necessita usar alguma medicação inalatória que ajuda a aumentar o diâmetro (abrir) as vias aéreas ou reduzir o edema e a inflamação nas vias aéreas. Frequentemente pode ser necessária mais de uma medicação inalatória ao mesmo tempo. Pode necessitar ser prescrito um corticoide em comprimido em caso de uma exacerbação da DPOC.
Oxigênio – Se a doença já apresentar-se muito grave, ou piorar muito, pode ser necessário fazer o uso de oxigênio. Seu médico pode necessitar pedir um exame para avaliar a quantidade de oxigênio no sangue (chamado gasometria arterial) para ver se você irá precisar do oxigênio.
Reabilitação pulmonar – Na reabilitação pulmonar, você irá aprender novas maneiras de melhorar seus sintomas. São ensinados exercícios e maneiras de respirar que podem auxiliar a melhorar os sintomas. Mesmo se você não conseguir fazer parte de um programa de reabilitação pulmonar, manter-se ativo (fazer as atividades do dia a dia, fazer caminhadas leves, fazer algum tipo de atividade física se conseguir tolerar) pode ajudar na sua respiração.
Cirurgia – Raramente, pessoas com DPOC muito grave podem necessitar de cirurgia para remover as partes mais danificadas dos pulmões para ajudar a melhorar as áreas menos danificadas. Essa cirurgia pode reduzir sintomas, mas não é sempre que funciona.
Espero que essas informações tenham sido úteis para ajudar na melhor compreensão dessa doença e tenham dado ferramentas para que você possa fazer parte e ajudar no tratamento!
Fonte: Adaptado de UpToDate 2018

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